29 de abril de 2011

“Nenhum estabelecimento quer causar danos a terceiros”

Adiantando a publicação do fim de semana, coloco aqui a entrevista feita para a revista Escola Particular.
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Paula Hernandes / Alex de Souza

Stupello: “Estabelecimentos de ensino
estão expostos a vários tipos de risco”.



A ocorrência de acidentes envolvendo alunos ou
funcionários dentro do ambiente escolar deve sempre
ser motivo de preocupação dos mantenedores, uma vez que a
instituição torna-se responsável civilmente pelo ocorrido, seja
dentro das dependências escolares ou em eventos externos
organizados pela própria instituição.


Para casos em que cabe ação judicial, o mantenedor
pode contar com um apoio ao contratar um

seguro de responsabilidade civil.


Para o especialista em seguros, Carlos Roberto Stupello,
ninguém quer prejudicar outros voluntariamente,
mas isso não isenta qualquer empresa, seja qual for o
segmento de atuação, da responsabilidade
civil. Em entrevista à Escola Particular, Stupello explicou o
que é o seguro de responsabilidade civil e como ele protege o
estabelecimento escolar e as pessoas que por ele circulam.


* * *
Escola Particular: O que é o seguro de responsabilidade civil?
Stupello: Primeiramente, é necessário entender o conceito de responsabilidade civil.

Tenho uma definição muito simples para isso: Responder civilmente pelos próprios atos
que, involuntariamente, gerem danos de natureza corporal e/ou material a outrem. Ou seja,
se um empresário – pela atividade exercida, causar um dano a alguém – ele se torna responsável
por tais danos causados a terceiros.


Assim, o seguro de responsabilidade civil,
serve para dar tranquilidade ao empresário nesse aspecto.
O valor de uma indenização arbitrada por um juiz é algo que não se pode mensurar. Pode ser
um pequeno valor, bem como pode ser um valor astronômico.
E qual é a forma de mitigar esse risco para o empresário? É por meio do seguro de responsabilidade
civil. O titular da apólice que, numa ação involuntária, venha a causar dano material
ou corporal a terceiro, poderá ser reembolsado pela despesa que teve com a indenização.


Escola Particular: É como o seguro pessoal?

Stupello: É diferente. São coisas totalmente distintas. O seguro de vida, ou de acidentes
pessoais, vai indenizar uma perda parcial de movimento ou outra lesão incapacitante,
bem como no caso de morte. Nesse tipo de seguro, não existe qualquer cobertura
a terceiros. A seguradora vai indenizar a perda, seja por morte ou invalidez. No caso
do seguro de responsabilidade civil, há cobertura para danos materiais e danos à pessoa.
Seguros de vida e de acidentes indenizam apenas os danos às pessoas; o seguro de
responsabilidade civil indeniza não somente pessoas, mas os danos contra o patrimônio de
terceiros, até o limite contratado.


Escola Particular: De que forma o seguro é acionado?
Stupello: Tão logo saiba de uma ação que lhe seja imposta por um terceiro, o segurado
deve comunicar a seguradora, que vai avaliar a situação. A seguradora vai verificar o processo
e, sendo determinada a responsabilidade civil do segurado, então, haverá a indenização
até o valor determinado pelo juiz e que esteja dentro do valor de cobertura
contratado. Porém, algumas vezes, chega-se a um acordo entre as partes antes que o juiz
declare uma sentença. Não é necessário existir a ação para que a seguradora seja acionada.


Escola Particular: A seguradora auxilia o cliente quando é feito algum tipo de acordo?
Stupello: A seguradora pode e deve ajudar o seu cliente. Ela tem um corpo jurídico que assiste
ao segurado na resolução de um acordo, de modo que fique bom para o responsável
e para a pessoa que foi prejudicada. Isso é mais eficaz nos casos de um acordo amigável,
em que a atuação do jurídico se faz presente para mediar essa negociação. Quando se trata
de uma sentença, o jurídico vai buscar minimizar as perdas para o cliente, porque os
valores podem ser muito altos.


Escola Particular: O que determina o valor da indenização?
Stupello: A cabeça do juiz. Avaliar um patrimônio é relativamente fácil, pois você calcula
o metro quadrado de uma construção, o tipo de acabamento e, então, chega a um valor estimado
de reconstrução daquele bem, seja carro, imóvel ou outro bem material. Mas o problema
começa quando se mensura o dano corporal. Exemplo: se você promove uma festa em sua
escola e ocorre um acidente, o juiz determinará o valor da indenização
em função do padrão de vida das pessoas prejudicadas e da sua estimativa de vida.


Escola Particular: O que esse seguro cobre?
Stupello: Há vários eventos cobertos. Falando da atividade empresarial escolar, é muito
importante se prevenir de algumas situações típicas. Por exemplo, um aluno pode se
acidentar numa escada em que o piso esteja escorregadio. Se o acidente aconteceu pela falta
de manutenção, o empresário poderá ser responsabilizado civilmente pelo juiz. O mesmo
é válido para casos de intoxicação alimentar, para acidentes causados por quedas de objetos
ou no caso de um aluno quebrar o pé numa quadra esburacada.


Escola Particular: Isso vale apenas para eventos internos?
Stupello: Não. Até mesmo os eventos externos patrocinados pela escola também estão amparados
pelo seguro, seja em percurso, em outra escola ou em atividades extracurriculares,
desde que seja comprovada a responsabilidade da escola. Um exemplo: se uma
escola que contrata um ônibus para realizar uma atividade externa, torna-se responsável
pelo serviço e lhe será imputada a culpa, caso ocorra um acidente. Mas em todos
esses casos, em que a escola patrocine eventos que lhe imputem a responsabilidade por
eventuais danos, o empresário será amparado pelo seguro.

“O seguro não
tem a pretensão
de pagar uma
vida, porque vida
não tem preço .”


Escola Particular: Pode-se dizer que esse tipo de seguro oferece uma segurança bastante
ampla, no caso de uma escola?
Stupello: Sem dúvidas. Porém, a maior segurança para o empresário
escolar não reside no valor financeiro da cobertura, e sim no que ela pode proporcionarnar em termos de proteção da imagem de seu estabelecimento. Porque o prejuízo financeiro pode ser
grande, mas o pior é o prejuízo de imagem ao estabelecimento. No momento em que
acontece um acidente e a empresa diz que se responsabiliza pelo problema causado,
a sociedade a vê de outra forma, e com bons olhos.


Escola Particular: E quando não existe transparência?
Stupello: Quando o empresário começa se afasta do problema e dizer que não tem culpa, que
não foi nada ou que ele não sabe o que está acontecendo, isso pode gerar um problema
social.


Escola Particular: Esse seguro também inclui a indenização por danos morais?
Stupello: A maior parte dos seguros com cobertura de Responsabilidade Civil, tem
restrição quanto aos danos morais. Mas há seguros de responsabilidade civil específicos
para danos morais.


Escola Particular: E nos casos de bullying? É diferente? Entra como responsabilidade civil?
Stupello: Se o ato foi praticado por falta de vigilância do estabelecimento, dentro deste,
o bullying poderá ser considerado dano a ser coberto pela apólice, desde que o juiz
impute ao estabelecimento de ensino responsabilidade por esse fato. Se ocorrer fora da escola,
onde não há ingerência da direção, não há a responsabilidade.


Escola Particular: O seguro de responsabilidade civil é igual ao de existência, uso e conservação?
Stupello: Não. Existência, uso e conservação protege apenas os danos decorrentes da
própria existência física do estabelecimento, sem considerar a atividade exercida no local.
O seguro de responsabilidade civil escolar é mais amplo, pois cobre riscos decorrentes da
existência do estabelecimento e de sua atividade, bem como morte, acidentes, danos ao
patrimônio e às pessoas, o que inclui a vida dos alunos - pelos quais a escola é responsável.

20 de abril de 2011

FHC e as elites

Artigo sobre as declarações desastrosas e desesperadas de nosso ex-presidente.

http://www.facebook.com/home.php#!/notes/alex-silva/fhc-e-as-elites/1961982778004

Na semana passada o decrépito ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso, líder de uma parte do PSDB, reiterou o que todos já sabem: o PSDB não é um partido Social Democrata. A social democracia é outra coisa. O PSDB é um partido tão fétido quanto o antigo PFL, que sob a sigla DEM não passa de um arremedo de partido. Os tucanos representam o que existe de mais antissocial em termos de políticas públicas.

Os próprios membros do partido (a parte menos raivosa) admitem que FHC errou ao escrever sobre o relacionamento que o partido deve ter com as classes menos abastadas. A verdade é que FHC apenas afirmou o que todo mundo já sabe: que ele e sua turma estão se lixando para os pobres. Isso não me causa espanto.

A oposição está desesperada. Sabe que o governo Dilma será melhor que o governo de seu padrinho, Lula. O PSDB e seus simpatizantes parecem uma vitrolinha que insiste em dizer e afirmar que o país só está como está graças ao Plano Real e que os frutos dessa seara foram plantados por FHC. Concordo. Em parte.

Assim como em muitas coisas da vida, chegar no topo exige trabalho duro. Aí está o mérito de FHC e sua turma. Manter a economia no rumo certo é ainda mais difícil. Ao que me parece, Lula conseguiu cumprir esse objetivo. Ao manter Meirelles, deu sinais de que seu governo não desprezaria os avanços obtidos.

Ao contrário dos tucanos, Lula tinha um projeto para a nação (claro que influenciado por seus novos aliados à época de sua eleição, como os empresários representados por José alencar, que agora descansa no céu). Mas o governo Lula fez mais que isso. Não apenas manteve a economia nos eixos, mas consolidou os programas sociais que o governo anterior se mostrou incapaz ou indesejoso de fazer.

Embora seja uma discussão para outro artigo, os programas sociais são necessários sim. O que precisa ser feito é um maior controle da destinação das verbas e inserir possibilidades de que as populações beneficiadas possam crescer e se desenvolver por si mesmas. Mas os programas sociais veem para corrigir uma disparidade histórica de nossa sociedade. São necessárias, mas precisam ser aperfeiçoadas.

Por fim, não não ser tão prolixo quanto nosso ilustre FHC - com seu discurso claramente elitista - encerro afirmando que ele e eus correligionários, como o desgastado e fracassado José Serra, têm um ranço social jamais verificado na história deste país. Se FHC quer se aproximar das elites, uma vez que passou pela Sorbonne, que se junte ao Sarkozy.



17 de abril de 2011

Divulgação
Chegando a época de Páscoa, todos falam muito dos ovos de chocolate - uma invenção meramente comercial. Aliás, tudo vira comércio neste país. Terminou neste domingo, em São Paulo, a maior feira de reabilitação, acessibilidade e inclusão do mundo, a Feira Reatech.

Fui ao recinto onde foi realizada a feira, onde pude ver mouses que podem ser movimentados com a cabeça, elevadores de rampa para cadeira de rodas, carros adaptados aos deficientes físicos, materiais didáticos e tudo mais que se possa imaginar, para todo tipo de deficiência.

Tive a oportunidade de entrevistar o ex-jogador de futebol Júlio César, que jogou no Corinthians em 1982-83. Ele também passou por Palmeiras, Ponte Preta e Comercial de Rib. Preto. Terminou sua carreira na Europa, jogando em um time da Bélgica.

Júlio César perdeu sua audição depois de pendurar as chuteiras. Hoje, se dedica à causa dos deficientes. Ele estava na feira para lançar o Instituto Jogadas da Vida, que vai angariar fundos para o esporte para-olímpico brasileiro.

O ex-jogador é professor de Educação Física e utilizou o esporte para educar jovens surdos. Suas experiências estão descritas no livro que leva o mesmo nome do instituto: Jogadas da Vida. Ele contou um pouco de suas dificuldades como deficiente auditivo e que existem muitos projetos voluntários para auxiliar essas pessoas. Ou seja, nem tudo é só comércio. Ainda bem.

Para ler mais, acesse: www.jogadasdavida.com.br/

10 de abril de 2011

Tragédias e intolerância

Semana passada eu mencionei a (boa) morte de José Alencar em meu texto. Digo boa porque, embora dolorosa, era algo que aconteceria em breve. A luta contra o câncer é algo cruel e não quero dizer que foi fácil. Contudo, como já disse: era algo esperado, mas não desejado.

Perto do que ocorreu nesta semana, no Rio de Janeiro, pode-se afirmar que Alencar teve uma morte digna. As crianças que partiram desta vida naquela escola tinham toda uma vida pela frente. É lamentável que um retardado tenha adiantado a partida dessas crianças.

Medidas

Como sempre, neste país só se toma uma providência quando Inês é morta. Espera-se que as escolas tomem providências concretas. Como autorizar a entrada de alguém que se diz palestrante sem verificar antes junto à diretoria? Só pelo fato de ser ex-aluno? E o que o governo do Estado do Rio de Janeiro vai fazer? Ou vai assistir com inércia a próxima desgraça?

Sim. Porque agora é bem capaz que algum outro louco esteja pensando: “que legal o que o cara fez, acho que vou fazer o mesmo”; e fazer algo até pior. Existe um ditado que diz que por onde passa um boi, passa uma boiada. Tomara que isso não se aplique no caso de assassinatos como esse, mas que abre a porteira, isso é fato. Cabe aos nossos xerifes impedirem que o gado estoure.

Não restam dúvidas de que o louco de Realengo era uma pessoa desequilibrada e infeliz. Contudo, isso mostra (embora não justifique) que temos pessoas doentes ao nosso redor, ou no caminho para isso, e agimos sem nos preocupar. Será que ninguém nunca percebeu que o cara era doente? Pois isso é doença! Enfim, não adianta chorar pelo que passou (confesso que chorei por essas crianças e por seus pais), mas é preciso agir.

Não dá para esperar que os governantes façam algo. Os pais devem se envolver nas questões escolares e, principalmente nas que tenham a ver com a segurança nas escolas. É preciso cobrar do Estado, das direções escolares e quem mais houver. Não se pode permitir que novas tragédias aconteçam.

Liberdade de expressão, mas com respeito

É engraçado ver todos descendo o porrete no deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). De fato, o cara é um dos últimos recônditos de tudo o que existe de mais conservador e retrógado neste país. Contudo, seu direito de expressão é algo que não se pode tolher. É tão retrógado quanto o pensamento de Bolsonaro, com apenas uma ressalva.

Embora não goste de tomar partido e me manifestar publicamente sobre certas questões, devo admitir que as declarações de Bolsonaro quanto ao kit do MEC são corretas e vão ao encontro do pensamento da maioria da população: o MEC exagerou.

O que nossas crianças precisam não é ver exemplos em vídeo do que é ou não é diverso, pois isso elas já veem em seu cotidiano. O que elas precisam é aprender a respeitar todas as pessoas e ser tolerantes com as que escolhem algo diferente do que normalmente se vê.

Isso eu tenho de admitir também: o Sr. Bolsonaro não é. Podemos e temos o direito de discordar de quem quer que seja, mas ser intolerante leva à incompreensão, ao ódio e a atos extremos. Teria sido o louco de Realengo uma pessoa que sofreu com a intolerância?

Especialista em suposições

Ainda voltando ao caso do RJ, a nossa imprensa chegou a dizer que o rapaz sofria de bullying na escola, depois disseram que ele era muçulmano e por fim disseram outras bobagens infundadas.

Será que toda a imprensa de outras editorias está se tornando com a imprensa esportiva? Pois essa sim pode fazer o que quiser. Afinal, tanto faz se Adriano irá ou não jogar no Corinthians. Quem paga meu salário não é o Andrez. Se o Adriano resolver jogar, melhor.

3 de abril de 2011

Ceni chega aos 100, Alencar chega ao céu, mas a imbecilidade do BBB não chegou ao fim

A semana que passou teve seus destaques. Um deles, não posso deixar de comentar, ainda que uma semana depois.

Brazilian kicker

O jogador Rogério Ceni, do São Paulo, chegou à marca de 100 gols na carreira. Embora as estatísticas oficiais confirmem apenas 98 tentos, os números impressionam. Certamente, são mais gols do que muitos atacantes de ofício não conseguiram até hoje.

Estima-se que ele tenha se igualado ao número de gols marcados pelo especialista em faltas Marcelinho Carioca (que tem 58 gols de falta na carreira). Fosse ele um jogador do futebol americano, seria o "kicker", aquele que só entra para cobrar faltas.

Ainda que seja um assunto polêmico, a marca do goleiro-artilheiro é algo que não se pode ignorar, independentemente do clube para que se torce. O que diferencia os bons profissionais dos excelentes é exatamente esse algo a mais que Ceni possui. Resultado de muito trabalho.

O melhor vice

Esta semana também foi marcada pela perda do melhor vice que qualquer presidente da república poderia ter. José Alencar foi incansável crítico do próprio governo, questionando a taxa de juros e dando seus palpites em relação a outros assuntos relevantes.

Em meio a tantos acontecimentos polêmicos do governo Lula, ele foi quem deu equilíbrio e ajuste ao primeiro escalão do grupo. Chegou ao fim de sua vida lutando contra um câncer que lhe inflingiu desconforto nos últimos 14 anos.

Lula chorou muito durante os serviços fúnebres de seu ex-vice. Pudera. Não fosse ter obtido as bênçãos e o consentimento do empresariado, do qual Alencar era um representante, Lula jamais teria chegado ao poder. Alencar merece um lugarzinho no céu.

Continuação da estupidez

Mal terminou o último BBB (que nem sei qual número foi), os organizadores do "reality show" já discutem o próximo. Precisa mesmo ter mais um? Ou melhor, precisaria ter um programa como esse? Partindo da visão empresarial: sim.

Nunca se lucrou tanto com publicidade quanto neste último BBB. Ainda que explore a imbecilidade humana, o programa é rentável. O declínio da audiência se explica pela migração de parte desse público para a internet.

Se a queda de audiência se refletisse em queda no bolso, certamente, iriam rever a continuação. Como isso não aconteceu, no próximo ano teremos a grata oportunidade de ver corpos sarados de cabeças vazias desfilando pela telinha.

27 de março de 2011

Financiamento do ensino técnico chega em momento oportuno


Na semana que se passou, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou financiamento de cursos técnicos por meio do FIES, como parte do PRONATEC: o Prouni do ensino técnico.





Parece que o Brasil começa a acordar para uma realidade que já mudou o cenário do emprego e qualificação em muitos países do globo, incluindo nossos vizinhos Sul-americanos.


Enquanto no Brasil apenas 10% dos alunos do ensino médio estão matriculados em algum curso técnico, na Argentina esse índice chega a 20%; 25% no Chile e, em Portugal, Espanha e Alemanha, chegam a 30, 40 e 50%, respectivamente.


O Brasil é um dos poucos países a conseguir a façanha de ter vagas ociosas e um número de desempregados que supera os 10 milhões. Por que isso acontece?


Segundo especialistas de RH, não há gente qualificada para assumir as posições. "Tenho vagas, mas não consigo encontrar os profissionais certos para a vaga", afirma Marco Juliani, engenheiro de segurança do trabalho.


A maior dificuldade reside no fato de que os profissionais que se formam não atendem à demanda do mercado, que no caso da área de segurança do trabalho só tende a aumentar. O mesmo se dá com outros cursos técnicos, influenciados pela falta de profissionais com curso superior.


Esse é o caso do técnico em Edificações. Estimativas do CREA-SP apontam um déficit de engenheiro civis que não deverá ser suprido nos próximos anos. Embora a falta desse profissional seja resolvida apenas por meio do ensino superior, os dados animam quem está no curso para a formação de técnico em Edificações.


Esse profissional é responsável por praticamente toda a obra, mas não pode assinar o projeto, que é de competência do engenheiro. "O profissional que se forma em Edificações consegue um bom salário inicial, que gira em torno dos R$ 2 mil. Com isso, muito decidem cursar engenharia civil, que tem um período mais longo (cinco anos), mas já têm uma profissão capaz de lhes dar o essencial", ressalta " Ricardo Valente, especialista de RH.


Outros cursos menos convencionais também se destacam pela pouca concorrência, o que acaba beneficiando quem os procura. Esse é o caso do curso de Cuidador de Idosos, Modelagem e o de Eletromecânica, oferecidos gratuitamente pelo Senai em algumas unidades do Brasil.


Em São Paulo, uma opção gratuita são os cursos oferecidos pelas ETECs (Escolas Técnicas do Estado de São Paulo). As inscrições para o segundo semestre de 2011 devem começar em maio. Para ingressar em um curso da ETEC o aluno deve passar por um vestibulinho.


Segundo dados do Centro Paula Souza, que administra as ETECs, cerca de 90% dos formandos conseguem emprego na área em que estudaram. Como nem todos conseguem vagas gratuitas, surge uma nova perspectiva de estudos em instituições privadas.


Espera-se que o programa anunciado pelo governo venha a surtir efeito e, de fato, oferecer oportunidades a quem mais precisa.


Para saber mais:



www.oglobo.globo.com/educacao

26 de março de 2011

Agora sim: jornalista!

Aos amigos,

Informo que estou trabalhando em minha área de formação - jornalismo.

Desta forma, semanalmente, devo postar algo que julgue relevante.

Vou começar pelo ensino técnico no Brasil, que postarei amanhã.

Saudações.

2 de novembro de 2010

Dos males, o menor!

Não poderia deixar de escrever sobre o último fim de semana. Por isso, volto, ainda que brevemente, ao blog.

No último dia 31 de outubro o Brasil elegeu sua primeira presidenta da república. Sim, o Brasil. Claro que Lula foi uma peça importantíssima, mas ela teve seus méritos.

Isso porque, mesmo com o apoio ostensivo de Lula, o experiente Mercadante não teve sucesso nas eleições para governador de SP.

Contudo, o futuro se mostra bastante incerto. Nem Dilma, nem Serra apresentaram propostas reias para o país. O que ela tem a seu favor é o fato de ser mulher. Talvez isso lhe dê uma posição e visão privilegiadas.

Entretanto, o fato de ser uma mulher é tão simbólico quanto o fato de Obama ser um negro. Assim como não significa nada ter um negro com ideias liberais no comando dos EUA, o fato de o Brasil ter elegido uma mulher nada significa, pois é algo apenas simbólico.

Resta torcer para que ela não aja como muitos homens que a antecederam.

29 de março de 2010

Recesso

Amigos, ultimamente, tenho estado sem tempo para escrever.

Aliás, pensei poder ganhar a vida escrevendo, mas no momento isso não é possível. Por isso, estou me dedicando a atividades profissionais nunca antes imaginadas (mercado financeiro).

Isso tem-me consumido todo o tempo, motivo pelo qual deixo de escrever por tempo indeterminado.

Espero poder me dedicar ao blog assim que possível.

Atenciosamente,

Alex

19 de dezembro de 2009

Pequenas intrusas

Não bastasse tudo o que já havia enfrentado, tinha de entrar naquela casa novamente. Não obstante, esta seria a última vez em vida.

Parada, ali, na grama do jardim, em frente à casa solitária na qual brincara por diversas vezes quando de sua infância, Selma mergulhou numa lembrança vívida e contraditória, mesclada de raiva e ternura, amor e ódio, revolta e conforto—coragem e medo.

Embora soubesse o que tinha de fazer, parecia perdida; seu olhar era baixo e desprezível. A chuva começava a cair naquela noite. Talvez tenha sido isso, talvez a esperança de vê-los novamente ou, ainda, a combinação de ambos que fizeram seu semblante mudar repentinamente. Recrudesceu.

Clareada pelos relâmpagos, parecia decidida agora. Apenas tinha de abrir a porta, atravessar a longa sala de estar, onde seus pais recebiam os amigos. Os sofás ainda exibiam as marcas das unhas, as janelas quebradas permitiam que o vento entrasse e trouxesse um pouco de ar límpido para aquele recinto, abandonado havia cerca de 20 meses.

Ao lado direito, após uma passagem larga e com batentes finamente trabalhados com madeira e pedras brilhantes como ornamento, havia uma sala igualmente acolhedora, onde comemoraram várias conquistas, celebraram as ceias dos natais de sua infância e onde havia uma mesa com os quatro pratos e pares de talheres que seriam usados no jantar daquela noite fatídica.

Quando se deu conta de que estava já ali, sempre iluminada pelos relâmpagos, se propôs a subir as escadas. “Isso será rápido e indolor”, pensou. Estava enganada. Ao voltar-se para a sala de estar, notou um movimento anárquico e sem uniformidade, tal qual uma TV fora do ar. Estavam ali, acima dos batentes da passagem. Começaram a sair de todas as frestas, que agora se expunham nas portas e nas paredes. A casa clareou por mais uma vez. O suficiente para perceber as centenas de aranhas que pareciam sentir a presença da visitante, outrora, uma das habitantes daquela casa, agora, tendo como seus donos aqueles aracnídeos repugnantes.

Também foi o bastante para que visse a cozinha e os armários onde mantinham arroz e outros grãos, bem como os doces em barra, os potes de frutas em conservas e as panelas que usavam na preparação das refeições. Algumas das quais estavam em cima do fogão desde a noite em que levaram seus pais. Conseguia ver que elas, as novas donas da casa, também estavam ali, mas começaram a sair das panelas. Marchavam em sua direção. O vento continuava a entrar, balançando as longas teias que se formaram ao longo daqueles meses.

Ficasse naquela sala de jantar, seria encurralada pelas aranhas marrons, pretas, viúvas-negras e caranguejeiras que se apressavam diante dela. A comida acabara havia já algumas semanas. Estavam famintas. Entretanto, mais pavorosa era a idéia de passar por debaixo daquele batente, em direção às escadas que acessavam os quartos da casa assustadora. “E se uma delas cair em meu cabelo?”, conjeturava. “Dane-se o cabelo”, concluiu. Tomou coragem e passou. Nenhuma das aranhas caiu sobre ela. Contudo, os passos rápidos incomodaram as que estavam no assoalho.

Como uma enchente, elas subiam e pareciam se amontoar umas sobre as outras no chão da sala de estar. Selma subiu as escadas desesperadamente. A cada degrau que subia, podia sentir como se algo estivesse estourando sob seus pés. Aranhas minúsculas subiam pelos seus pés e pernas, tão rapidamente quanto Selma subia os dois lances de escadas, com curva à direita.

“Em qual dos quartos, qual será?”, perguntava a si mesmo com a voz já embargada pelo desespero e o asco incontrolável daquelas aranhas que estavam em suas pernas. Tentou retirá-las dali num movimento rápido e esbaforido. Com elas, saiu também uma parte da pele, expondo sua carne. Ávidas por alimento, aquelas aranhas estranhas e pequeninas, nunca catalogadas por qualquer livro, mais pareciam piranhas de oito pernas. Possivelmente, uma mutação que se desenvolveu ali, resultado do isolamento e das mudanças climáticas. Claro, para os antigos cientistas da ONU, tudo poderia acontecer em função do clima. Entretanto, não havia ciência que explicasse aqueles dias infernais. Afinal de contas, já não havia mais ciência ou teorias que explicassem qualquer fenômeno ou seres. Sequer uma explicação sobre o próprio destino da humanidade.

Desde que os mares subiram a um nível nunca pensado – não pelo câmbio climático, mas pela pressão interna da Terra, que fez aqüíferos como o Guarani expulsarem toda a água que havia sob a superfície terrestre – todas as formas de vida remanescentes se concentraram naquela estreita faixa de terra entre o Pacífico e o Atlântico.

No ano de 2109, o homem tornara-se ignorante, asqueroso, inculto e rudimentar: voltou ao tipo de vida experimentada antes da Revolução Industrial. Apenas os lugares mais provincianos não foram afetados, como sua cidade. Um lugar onde ainda havia energia elétrica, embora ninguém mais dominasse sua produção. Mas não houve luz naquela noite. Não artificial.

E ainda que houvesse, não deteria aqueles seres que pareciam ser o próprio mar. Selma lamentou que o mar não tivesse avançado mais e destruído de uma vez a todos. Contudo, o mar de aranhas avançava, na mesma proporção em que sua loucura se tornava evidente.

Em meios aos gritos, vasculhou o quarto de seus pais, na busca da pista que a levaria ao próximo desafio – o derradeiro. Nada encontrou, além de mais e mais aranhas. O sangue que agora escorria por suas pernas atraía também as baratas pretas que saíam do forro. Correu para seu quarto. Nada encontrou que pudesse desvendar o enigma. Lembrou-se, então, de que sua irmã, levada com seus pais, costumava escrever seus segredos em rolinhos de papel e os punha dentro da fronha, sob o travesseiro que usava. Acreditava que se dormisse sobre eles os manteria seguros e que os desejos se realizariam.

Teve certeza de que ali estava a resposta. Como colocar a mão ali? As aranhas minúsculas também estavam lá. O travesseiro ficou cheio delas, mas Selma teria de procurar.

Colocou sua mão dentro da fronha. Sentiu que as aranhas continuavam a subir em suas pernas e estavam também nas mãos, que procuravam pela resposta do jogo maldito em que havia sido posta. Entre cartas de amor, fotos de amigos e os inúmeros papeizinhos, Selma encontrou um cartão-postal. Era da cidadezinha onde haviam passado uma de suas férias. Antes, uma pacata cidade ao pé da cordilheira, agora, uma fria cidade da nova geografia; uma nova cidade litorânea, mas que não tinha perspectivas de receber turistas, apenas a corajosa Selma, em busca da possível resposta. Havia um post it na parte de trás do cartão, que dizia: ALI, ONDE BATER A LUZ DO SOL NASCENTE, TU ENCONTRARÁS A ÚLTIMA PISTA. CONTUDO, NÃO ENCONTRARÁS A LUZ, POIS TUA VIDA APAGAR-SE-Á AO FIM DO MESMO DIA.

Selma já sabia para onde deveria ir. Imaginava qual seria o último desafio daquele jogo macabro. Antes, porém, tinha de sair daquela casa maldita. Suas mãos, infestadas pelas aranhas, expunham as úlceras e fediam. A carne apresentava fissuras, pelas quais as aranhas entravam. Selma já não sentia medo. Não sentia dor. Desceu as escadas vagarosamente, mas decidida. Ao sair da casa, olhou para trás. Um raio atingiu sua antiga morada, reduzindo-a a escombros e uma fumaça preta. Suas mãos voltaram ao normal, bem como os pés. Vencera aquela etapa. Venceria a última?

5 de dezembro de 2009

Fácil não: Flamengo terá que suplantar a si mesmo para ser campeão...


Amanhã será conhecido o campeão brasileiro de futebol. Embora seja defensor de um campeonato com finais, não posso admitir que este campeonato foi muito bom, chegando à sua última rodada com quatro times disputando o título.

O campeonato só não está nas mãos do Flamengo porque o São Paulo terá o frágil Sport pela frente e o Inter pega o desesperado Santo André. O único que joga fora (e tem um páreo mais difícil) é o Palmeiras, que vai ao Rio enfrentar o Botafogo.

Pouca gente acredita, mas se o Grêmio terá 7 reservas em campo, a chance de que eles coloquem erva-mate na caneca de chopp dos cariocas aumenta. Um empate seria o suficiente para o Inter se sagrar tetra-campeão. Acredito ser possível, mas o Mengo tem uma mão na taça.

Copa do Mundo

Ao contrário do que a mídia está anunciando, o grupo do Brasil (Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte) não é o mais difícil. Os dois primeiros devem se classificar, embora com maior dificuldade que Espanha, Argentina, Alemanha, Itália e Inglaterra.

Osso duro será o grupo da África do Sul, que terá Uruguai, França e México. Não tenho dúvidas de que esse sim, será o grupo mais equilibrado - o grupo da morte.

21 de novembro de 2009

O apagão do jornalismo

Os dias estão muito corridos, como ainda não ganho a vida do jornalismo, não tenho tanto tempo para executá-lo também.
Contudo, não posso deixar de tecer uma crítica ao fato de que a prática do jornalismo está cada vez mais apagada, no sentido de seu brilhantismo de outrora e sentido de serviço público.
Claro que um apagão como o que houve preocupa as pessoas e a busca por respostas é justificável, mas o que se viu, leu e se ouviu foi uma cobertura enviesada pela política. Todo mundo "descendo o porrete" no governo federal.
Curiosamente, a "maior obra de transportes do país" foi abaixo, literalmente. Exceto a Rede Record, que tratou o assunto também com interesses, o restante da mídia minimizou os fatos.
Infelizmente, o exercício da imprensa não ajuda na formação do indivíduo, mas confunde-o mais que antes da veiculação das notícias. Falta o primor pelas pautas sociais e de real importância para a sociedade.
Mas enquanto existirem ex-alunas com minissaias para se sugar até o último, teremos uma cobertura rasa, pobre e tendenciosa.

31 de outubro de 2009

Vagas?

Após algumas semanas ausente, volto a escrever. Volto com a seguinte questão em mente:
O que leva um bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo e especialização latu sensu em Comunicação Empresarial e Institucional a buscar outras formas de subsistência?

A resposta é simples. Não há espaço para todos os profissionais. Por isso, é necessário, para os que ainda mantêm o desejo de exercer a profissão de comunicador, seja na imprensa ou nas empresas, que se criem as oportunidades.

Muitas vezes as chances não serão criadas pela hierarquia, mas serão fruto das ações pioneiras de funcionários pró-ativos. Contudo, na maior parte das vezes, as vagas sequer serão criadas. Como fazer, então?

Os concursos públicos são uma eterna boa opção. Não dependem de Q.I., não requerem anos a fio de experiência e, normalmente, oferecem salários atrativos. Claro que para conseguir uma colocação se deve estudar muito, mas depende só do candidato.

Quem sabe não seja o caminho para nós, que não temos Rabo Preso com ninguém?!

28 de setembro de 2009

O homem cria condições que ele mesmo não utiliza...

Reflexões sobre a evolução tecnológica!

McLuhan afirma que os meios são extensão do homem. Baseado nesse conceito, é possível afirmar que o homem é que evoluiu, sendo a evolução tecnológica uma conseqüência do avanço humano.

blig.ig.com.br
Entretanto, o homem ainda não aprendeu a usar, em seu próprio benefício, as inovações que vieram com tanta tecnologia, sobretudo na comunicação. E os que acham que os meios tradicionais são obsoletos não enxergam algumas facetas obscuras dos meios em geral.
Deve-se ressaltar que a mídia tradicional tem a capacidade de ser tão interativa quanto aos novos meios, mas seu potencial também é subaproveitado. Um programa de rádio ou televisão, por exemplo, pode ser interativo, sim. Os meios impressos também. A grande questão é saber se os detentores dos meios querem ser tão interativos.

Afirmar de modo categórico que a Internet trouxe tal interatividade também pode ser um equívoco. Até que ponto se pode afirmar que uma mídia é democrática se, em muitos dos fóruns que existem, as mensagens do internauta serão avaliadas antes de sua publicação?

Os conteúdos também podem “subir” às páginas de modo a privilegiar determinados pontos de vista, em detrimento de outros. Falar sobre participação e meios de comunicação é um pouco complicado no Brasil. Basta estudar a história da Comunicação aqui.

Entre mortos e feridos, é inegável que, acima de todos os outros, a Internet é o meio que pode propiciar maior participação, gestão democrática dos conteúdos e discussão sobre os rumos a serem tomados, o que não significa que já o seja hoje. É preciso avançar mais.

7 de setembro de 2009

Independente do quê?

Foto: familycourtchronicles.com
O Brasil comemora mais um ano de independência. Mas do quê? Ou de quem?

Em quase 190 anos de governo independente, não conseguimos nos libertar da servidão da desigualdade, exacerbada nos grandes centros.

Ainda somos uma república de bananas, que não investe o suficiente na educação de base e que no topo deixa seus cérebros imigrar para países como o Canadá.

Não existe independência na saúde. O serviço público é um caos, mas os serviços particulares deixam a desejar também.

Isso sem falar da segurança pública, que sofre um processo oculto de privatização. A maior parte das empresas de segurança tem como proprietários os coronéis das PM's de todo o Brasil. Claro, estão registradas em nome de laranjas.

As grandes fusões bancárias servem aos interesses de poucos. Concentram o crédito e caracterizam um cartel sem escrúpulos dos quais o setor (realmente) produtivo fica refém. Para que serve o CADE? Cadê o CADE?! Deviam ir para a CADEia junto com os banqueiros.

Além disso, temos a multiplicação das inverdades se proliferando na grande mídia. O jornalismo serve apenas aos interesses dos poderosos. Seu caráter funcionalista pinta com as cores do país do futuro uma nação que só se vê nas telas de TV.

Existem dois Brasis. Um que é o mundo encantado da burguesia. Outro que não vive, mas agoniza e espera pelo dia em que alguma revolução, liderada por algum líder que ainda venha a nascer, leve a cabo um processo de indepêndencia dos que controlam e mandam neste país.

9 de agosto de 2009

Tempo: o desafio do novo século

Foto: Alex de Souza

O tempo, todos sabem, está cada vez mais escasso. Isso tende a piorar.

Os meios de comunicação, em vez de aumentar, fizeram com que se tornasse ainda mais fugidio. As semanas não passam, voam.

O excesso de informação, dizem alguns, desinforma.

Na última semana li muito sobre Sarney, Gripe Suína e sobre Honduras, mas não me considero informado.

Como diria Raul Seixas, "não preciso ler jornais, mentir sozinho, eu sou capaz". Será que o que lemos lá nos grandes jornalões é a verdade? Só o tempo dirá.

Talvez antes que imaginemos, afinal, ele está mais rápido. Só não sei se mais verdadeiro, mais leal.

O tempo se assemelha às águas de um rio: passam para não mais voltar. Não obstante, trazem consigo os sedimentos de lugares longínquos, respostas e uma imagem singular, nunca vista antes daquele momento particular.

26 de julho de 2009

Metrô de SP ainda está longe de ser, de fato, um bem público

Foto: pslumiar.blogs.sapo.pt


Foi inaugurada hoje a estação Pinheiros da linha amarela do metrô de SP. Esse governo não faz tanta propaganda quanto o anterior, porque sabe que ainda há muito o que avançar.


Em Lisboa, Portugal, o sistema de transporte é bem diferente do que temos aqui. O transporte é encarado como um dever do Estado. Tanto é verdade que parte dos custos de transporte são subsidiados por ele.

Foto: tvi24.iol.pt
E quem pensa que, por estar na Europa e fazer parte da comunidade, o país nada em rios de dinheiro, afirmo que está enganado. A diferença é que o Estado pensa um pouquinho mais nos seus, o que faz uma enorme diferença. Bem, vamos aos números.



Dados físicos

Lisboa tem pouco menos de 500 mil habitantes (metade da população de Campinas), mas em uma área de 84 km². Entretanto, possui 40 quilômetros (ou quilómetros, como diriam os gajos alfacinhas) de linhas de metro com 46 estações (lá não é metrô, é metro mesmo, como a fita métrica). Isso mesmo! E são 64 quilômetros de linhas de comboios (trens, mas pronuncia-se o primeiro "O" de modo aberto: "combóios") na região metropolitana da capital.

São dados crus, frios. Entretanto, já mostram a dimensão da diferença. O Estado de São Paulo, segundo informações oficiais, possui 60 quilômetros de metrô e 240 de linhas de trem. São Paulo é 20 vezes maior que a população lisboeta, mas se compararmos as duas regiões metropolitanas, são 25 milhões aqui para 3 milhões de habitantes lá.

Admito que o desafio é muito maior aqui, mas isso não pode servir de desculpas para nós. Para ninguém dizer que estamos a bater em bêbado, vou comentar, e bem rapidinho que é para não dar mais vergonha, que Nova Iorque, com a qual os paulistanos adoram fazer comparações, tem apenas:

1142 quilômetros de metrô. E quase 500 estações. Nem vou procurar saber sobre os demais meios. That's really a shame for us!



Foto: pestinha94.blogs.sapo.pt


Valor do transporte

Para sair de um bairro de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, para trabalhar na capital, caso tenha de tomar apenas o trem, o trabalhador gastará cerca de R$ 110,00 dependendo do número de dias trabalhados. Caso tenha de tomar ônibus, a conta aumenta. Não gastará menos que R$ 130,00, em média.

O contribuinte ou o seu empregador é quem paga pelo custo, sendo que boa parte do valor fica com as empresas privadas, no caso dos ônibus.


Em Lisboa, há um sistema interessantíssimo. No início de cada mês, o usuário de transporte que possui uma carteirinha pode comprar o passe. Isso só pode ser feito no primeiros 10 dias de cada mês, quando o passageiro que só circula em Lisboa compra o passe L, por 30 euros e circula livremente em todos os meios de transporte: Autocarros (ônibus), Electros (bondes), Comboios (trens) e no Metro.

Em alguns casos, paga-se mais por um trecho maior, mas as tarifas mais caras são de cerca de 70 euros. E você pode usar: QUANTAS VEZES FOR NECESSÁRIO!!!

Repetindo: QUANTAS VEZES FOR NECESSÁRIO!!!

Caso opte pelos outros passes (L1, L12 ou L123) o preço aumenta, bem como o raio de abrangência das viagens a que o cidadão tem direito.

Muito bom o sistema brasileiro, não?!

E se engana quem pensa que a qualidade dos serviços dele é inferior. Nada disso. É tudo coisa boa. Os autocarros possuem piso baixo, pois pensam em seus idosos. Aqui, o idoso tem de escalar, literalmente, as escadas dos nossos "busões" que são tão bons, não é senhores tucanos e demonicráticos?

También los hemanos están mejores que nosotros

Mesmo na Argentina, o transporte é mais barato e funcional (tudo bem que são velhos os meios, mas são baratíssimos). Para o trabalhador, preço ainda vem antes de qualidade.

É por essas e por outras que o candidato à presidência da república que adora privatizar tudo (por que não vende a mãe?!) não deve mentir de modo descarado e pensar que nós somos trouxas. Não existe expansão, a não ser no bolso de alguns!

21 de julho de 2009

LUANDA É AQUI

Depois de tantos anos, finalmente, eu te encontrei;
Apesar dos pesares, tudo agora vai ficar bem.

Em mim ficou a ferida de te ver assim partir
E esta guerrilha sem razão que tem destruído meu país.

Será que um dia vamos ter esperança e dignidade?
Será que um dia vamos achar velhos amigos, igualdade e paz?

Muitos longe estão, atravessaram este continente,
Que tem sido explorado por aquela gente!
Que consigam sonhos realizar, manter a fé e não desanimar,
Ainda que não voltem a Luanda.

Miséria, fome e guerra: trio inseparável e vil;
Presente não só em Angola, mas também em partes do Brasil.

Há gente de bem que morre, enquanto muitos maus não;
Não ainda lá, mas a caminho da temível destruição.

Será que um dia haverá justiça e paz em todo lugar?
Amor fraterno, pois que nós somos irmãos: liberdade em nossos corações.

Muitos longe estão: além das fronteiras da razão.
Bebidas, drogas, desemprego com a péssima educação;
Junte tudo isso, receita boa pra formar bandido
Que tem sido usada em nosso país e no Brasil.

6 de julho de 2009

Quinta eterna

Nada há mais monótono, depressivo ou desencorajador do que uma manhã cinzenta de quinta-feira. Da última vez em que tive um dia assim, não vi o dia passar. Não porque tenha sido rápido. Simplesmente, não passou, não empolgou, não nutriu, tampouco partiu. Pior que isso: ela se estendeu.